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Este enorme quadrilátero abrangendo parte da Trás-os-Montes e da Beira Alta, cortado a meio pelo rio que lhe deu o nome de Alto-Douro, constitui pelo larguíssimo passado das suas gentes, uma inesgotável fonte de informações para os investigadores e de múltiplas surpresas para os que procuram o turismo cultural e de natureza.
O rio Douro separa e une. A impetuosa corrente, nos períodos pluviosos, antes da construção das barragens, justificou-lhe o nome de Dvrivs, com o significado de duro, forte. Quando ainda não havia as pontes do Pocinho e da Barca de Alva, nos períodos de cheias, as barcas não se aventuravam a atravessar as águas. Porem, nos períodos calmosos, a passagem era facilitada permitindo estreitar os contactos entre as gentes dos dois lados do vale. Os que viviam a Sul, passaram a designar de Terras do Alem Douro as que se prolongavam para Norte da margem direita em sucessivas e intermináveis montanhas recurvadas, lembrando o dorso de um imenso rebanho. Os do Norte, nos tempos da Reconquista, a medida que esta avançava para Sul, afastando-se e extremando-se do Douro, chamaram Estremadura ao território.
De um lado e do outro do rio são terras xistentas, secas, ásperas, montanhosas, povoadas de sobreiros, azinheiras, zimbros e, nas mais altas e frias, de castanheiros ou de vinhas, amendoeiras e olivais, nas encostas soalheiras. Mas nas terras baixas, nos vales, há veigas férteis como as de Longroiva, Pocinho e Vilariça.
Até meados do séc. XX, antes de começar a imigração e a mecanização agrária, o território era rico de centeio. Na altura das ceifas, chegavam ranchos de gente da Beira cantando:
Alem Douro e de cá Douro
tudo a Douro também.
Depois que se passa o Douro
já não lembra pai nem mãe.
Mas os ceifeiros dirigiam-se igualmente para as terras de Riba Côa.
Eu hei-de ir a Riba Côa
a cegar e a atar pão
e hei-de levar comigo
prenda do meu coração!
Este enorme rectângulo e atravessado por cursos de água com a particularidade de uns correrem de Sul para Norte como o Águeda, a Ribeira de Aguiar, o Côa, a Ribeira Teja... Outros, de Norte para Sul, como o Sabor e o Tua. Todos são afluente do Douro. Ao longo dos milénios as populações ligaram-se de tal modo a estes cursos de água que passaram a fazer parte da sua memória pré-histórica e histórica, nas vertentes económicas, culturais e patrimoniais.
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