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A origem do pombal é já muito remota e as opiniões dos estudiosos divergem acerca das razoes que motivaram uma tão larga difusão. No Douro Superior os pombais conheceram grande expansão no século XIX e na primeira metade do século XX, coincidindo com o alargamento da cultura da vinha. Tratava-se de por em pratica uma agricultura biológica. Mantendo os pombais povoados, produzia-se anualmente uma quantidade considerável de estrume de elevado valor, denominado localmente por pombinho. Na falta de adubos químicos, esse fertilizante orgânico permitia produções abundantes na vinha, nos olivais, amendoais e hortas. Alem disso, no interior dos pombais existiam inúmeras cavidades em pedra, que proporcionavam o habitat de nidificação para os pombos. Desta forma os pombais permitiam fornecer aos proprietários agrícolas a produção de carne (borracho) que constituía um complemento à actividade agro-pecuária.
Os pombais na região duriense apresentam variadas formas e dimensões. Algumas construções são quadradas, outras rectangulares, mas a maioria tem planta circular ou em ferradura, sugerindo formas arquitectónicas castrejas. As paredes são em alvenaria de pedra miúda, terra argilosa como ligante e reboco de argamassa de cal. A cobertura e de madeira apoiadas nas respectivas paredes. O murete / corta-vento, também em alvenaria de pedra é frequentemente ornamentado com pináculos de pedra. O acesso dos donos ao interior dos pombais faz-se por uma pequena porta de madeira. No telhado existem plataformas de entrada e saída dos pombos saídas de voo.
As casas de pombos não constituem a base da vida dos habitantes desta região, pois os moradores tem outras actividades que lhes proporcionam recursos mais elevados dos que derivam dos proveitos que os pombos fornecem a economia dos naturais. O que se deseja por em relevo e a adaptação da vida humana as diversas manifestações do meio geográfico e demonstrar como a actividade cinegética e capaz de influir na humanização de paisagem de montanha.
Se bem que os animais caracterizam a paisagem geográfica de maneira menos patente que os vegetais devido a sua mobilidade, como já observou Humboldt, contribuem também para dar muitos traços típicos a diversas regiões do globo.
Como prova disto, o ilustre geógrafo Amorim Girão escreveu que ligado às nossas mentes o numero de búfalos recordam as actividades dos arrozais chineses, o numero de vacas anda associado aos prados verdejantes dos Açores e os rebanhos de ovelhas relacionados com a Serra da Estrela.
Nos últimos cinquenta anos tem-se assistido a uma degradação e abandono destas construções. As silvas e o mato espontâneo estão em parte a ocupar uma paisagem humanizada. O êxodo rural, os concursos de tiros aos pombos, a pilhagem, o uso indiscriminado de adubos químicos, fazem com que os pombais comecem a ser relegados para segundo plano. Torna-se imperioso, recuperar e revitalizar os pombais tradicionais no Douro Superior, enquadrados num vasto território que constitui a região demarcada do vinho do Porto e classificada Património Mundial. Valorizar-se-á, assim, uma das mais belas componentes da arquitectura popular (arquitectura de produção) e proceder-se-á a valorização ecológica aumentando a população dos pombos e outras espécies, aumentando assim, a disponibilidade de presas para outras espécies de aves raras e ameaçadas como a Águia de Bonelli ou o Falcão-peregrino.
Dedica-se a recuperação e valorização deste património, a PALOMBAR. Associação de Proprietários de Pombais do Nordeste Largo Abade de Morais. Vila chã de Braciosa 5225 Miranda do Douro. T (00351) 273 449363
www.palombar.com
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