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Fernando III unificou os reinos de Leão e Castela. O seu filho, Afonso X, O Sábio, reinou entre 1252 e 1282, constituindo, semelhanea de outras, a Irmandade de Riba-Coa, formada pelos concelhos de Alfaiates, Almeida, Castelo Bom, Castelo Melhor, Castelo Rodrigo, Monforte, Vila Maior e Sabugal.
Esta associação municipalista nomeava um representante junto do rei para apresentar as suas queixas contra os abusos de poder dos senhores e dos nobres. Nos seus territórios o povo escolhia os juízes e vereadores, podendo deslocar-se livremente sem pagar portagem, tal como os seus gados.
Em Portugal, constituiu caso único, fruto da incorporação tardia na coroa, em finais do século XIII. O rei Sábio, na sua filosofia de tolerância e ecumenismo, nos seus métodos de administração democrática da justiça e de defesa da multiculturalidade na educação, colocava-se muito para alem dos valores e convicções do seu tempo e, perigosamente, contra eles, conforme o testemunho que legou a posteridade:
"Não sou mais do que a sombra de um rei que noutro tempo chamaram Afonso X o Sábio, mas o Papa e os meus próprios vassalos depuseram-me em 1282. Porventura os meus sonhos tinham demasiada grandeza para aquele século. No entanto, estávamos a beira de um grande despertar. Eu tinha tido a sorte, na minha juventude, de ser educado em Toledo, donde o bispo Raimundo e os seus tradutores cristãos e judeus me iniciaram na cultura do Islão. Fiz traduzir para o latim o Corão e o Talmude. Olhai para o que foi o acto mais glorioso do meu reinado: criar em Múrcia, com o filosofo muçulmano Mohamed Al Riquti, a primeira escola do mundo, onde eram instruídos ao mesmo tempo cristãos, judeus e muçulmanos. Em Sevilha exigi que se ensinassem as línguas da cultura do meu tempo: o árabe e o latim..."
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