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O Palio de Cidadelhe, guardado (cada ano, em segredo) numa das casas da aldeia, data do século XVIII e apenas sai as ruas nas procissões da Páscoa e do Corpo de Deus. Finamente bordado a oiro sobre um valioso pano de cor grená, subsiste como testemunho da alma comunitária e do paradoxo artístico que, no mesmo acto criador, fez nascer a lenda rude dos irmãos agricultores, que cada ano rompiam três enxadas nas encostas de Cidadelhe, e teceu, a filigrana, os símbolos da sua fé.
Relíquia viva e única no continente europeu, de uma arte secular que a Europa aprendeu com o esplendor da cultura chinesa, a criação do bicho da seda e a tecelagem da seda (e do linho), pode ser vista na vila de Freixo de Espada a Cinta, todos os fins de semana, no Centro de Artesanato e Exposições. Como num passe de magia, duas artesãs extraem, dos casulos embebidos em agua quente, um fio invisível que uma dobadoura manual, girando velozmente, transforma em cordéis de seda pura e dourada, finos ou consistentes, assim o exigem as difíceis artes da tecelagem e do bordado.
E o mesmo labor intenso e engenhoso, que, durante uma semana ou um mes (!), prende as artesãs que fazem as amêndoas cobertas de Moncorvo, ao paciente é hábil movimento de caldear o açúcar diluído com os frutos descascados, sobre uma bandeja de estanho aquecida, numa fina película que cresce, como uma segunda pele, a cada movimento e, ligeiramente crestada, vai envolvendo o miolo em aromas e sabores açucarados, a bicuda branca e a morena (com chocolate ou canela), ou a peladinha.
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