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O NASCIMENTO DOS REINOS PENINSULARES
O Nascimento dos Reinos Peninsulares

 O Nascimento dos Reinos Peninsulares

A Reconquista Crista fez das terras do actual concelho de Moncorvo ponta de lança da invasão do Sul do Douro. Nesse período terá ganho importância o Castelo de Santa Cruz da Vilariça, oposto às fortalezas da margem Sul, em mãos muçulmanas, como estava Numão.

O Rei Fernando Magno de Leão trouxe as armas vitoriosas para Sul do Douro. Em 1063 arrancou Civitas Aravorum das mãos dos Mouros mudando-lhe o nome para Marialba (Marialva). Dava-lhe assim o nome da Virgem Maria evocada numa capela paleo-cristã da cidade de León.

A partir de então, edificaram-se ou reconstruíram-se castelos ao Sul do Douro. Em 1145, Fernão Mendes de Bragança, cunhado de D. Afonso Henriques, doou  a Ordem dos Templários o Castelo de Longroiva. Estes dispunham a Norte do Douro do Castelo de Pena Roía (Mogadouro). Também esta vila foi fortificada e o seu étimo parece ligar-se à divisão de terrenos, com significado de mogo (marco).

Ao Sul do Douro, no tempo de D. Afonso Henriques, nasceu perto de Pinhel a Ordem de S. Julião do Pereiro. Seguindo os reis leoneses-castelhanos mudaria o nome para Ordem de Alcântara ao chegarem, durante a reconquista, à ponte romana do Tejo, baptizada de Alcântara pelos muçulmanos.

O território ao Sul do Douro foi colonizado sob a protecção da Ordem do Templo, que fez da Meda o seu celeiro. Protegeu mosteiros distantes como o de Santa Maria de Aguiar (Castelo Rodrigo).

Com a criação de feiras, na primeira dinastia, os contactos entre as terras de Além-douro e Aquém-Douro intensificaram-se. Foram importantes e ainda são as feiras de Trancoso, Marialva, Foz Côa, Moncorvo e Mogadouro.

A incorporação no território nacional das terras de Riba Côa na sequência da intervenção militar de D. Dinis, a que se seguiu o Tratado de Alcanizes (12 de Setembro de 1297), deu nova dimensão a este espaço ao Sul do Douro. Antes de mais garantiu uma vasta área de pastoreio, ampliando a transumância.

Uma série de castelos passaram a defender a fronteira: Castelo Bom, Castelo Melhor, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo, Sabugal ao sul. Topónimos como Malhada Sorda confirmam o interesse pela pecuária. Malhada e lugar de concentração de rebanhos, dela derivando tresmalhar, isto e, dispersar, neste caso o gado. O nome da povoação Mata de Lobos (Figueira de Castelo Rodrigo) liga-se a igreja românica, profusamente decorada com cabeças de lobos, que representam os muçulmanos. Embora aceitando um só Deus, ficavam fora da igreja por serem inimigos dos cristãos.

Muitas destas povoações estão cheias de história e também de arte. Interessantes são os tectos mudejares de Riba Côa. Talvez uns catorze. Os mais belos são o de Escarigo e o de Vilar Formoso. Nas igrejas, merecendo protecção e segurança, há Arte Sacra portuguesa, espanhola e flamenga. Algumas destas igrejas foram fortalezas como a de Escaldado. Vilar Torpim foi da Ordem de são Julião de Pereiro. Guarda numa capela lateral da igreja um belo túmulo renascentista.

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