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ARTE E PATRIMóNIO
Arte e Património

 Arte e Património

Muitas das antigas vilas conservam o pelourinho. Vila Nova de Foz Côa tem uma bela igreja manuelina e também um artístico pelourinho. A igreja de Torre de Moncorvo, que foi Colegiada, guarda dois retábulos, um sumptuoso, do séc. XVII e outro valioso do séc. XV, flamengo, representando a Parentela de Santa Ana. A Igreja de Freixo de Espada a Cinta, manuelina, conserva tábuas flamengas, ate há pouco classificadas como pinturas portuguesas. No exterior pode ver-se a elegante Torre do Galo.

Restam poucas igrejas medievais, pois foram substituídas por templos barrocos. Merecem visita a igreja da Adegazinha (séc. XII), a de Algozinho, também românica, e a do Azinhoso, séc. XIII. Urros, que foi lugar de peregrinação, conserva o túmulo medieval de Santo Apolinário.

Solares barrocos podem encontrar-se em todas as vilas deste território e também em muitas aldeias. Entre os maiores esta o de Castelo Branco, perto de Mogadouro.

Todo este enorme quadrilátero sofreu profundas transformações ao longo dos últimos quarenta anos, das quais a maior foi o despovoamento. Terras com um largo e rico passado, envelheceram, perderam vida e perderam tradições.

Há quarenta anos ainda os sociólogos falavam do mundo rural e da folk society, característica de uma sociedade isolada, tradicionalista, onde predominava um forte sentido de solidariedade e de grupo, vivendo a tradição agrária, homogénea e estética. Hoje o que resta da vida rural foi invadido e adulterado pelos órgãos de comunicação, destruindo a folk society. As aldeias envelhecidas deixaram de cantar... Riba Côa tinha um rico folclore musical. O mesmo ocorria nas terras do norte do Douro, nos concelhos de Moncorvo, Alfandega da Fé, Mogadouro, Freixo de Espada a Cinta.

Muitas das tradições, costumes e praticas revelando culturas tradicionais perderam-se com a emigração ou com a migração interna para as urbes. Os que se transferiram para as cidades, embora vivendo fisicamente, lado a lado, uns com os outros, estão socialmente mais afastados... Em vez de gozar a liberdade deixando a enxada estão submetidos aos horários, aos semáforos, ao relógio, apressados e inseguros, tensos e infelizes. Embora desfrutando de instituições formais, estas baseiam-se mais no território e no espaço do que na família ou no grupo homogéneo. A cidade que trocaram pela aldeia é teatro de crimes, de vício, de droga e de chocantes contrastes. Onde esta a solidariedade?

Urge preservar e defender o rico património que existe, valorizando e encontrando formas de travar o despovoamento, que o mesmo e dizer, travar a morte destas povoações.

O turismo cultural e o turismo de natureza constituem uma nova forma de valorizar esse património e uma oportunidade para religar as populações urbanas as suas raízes na terra e na historia. Constituem ainda, através da cultura, uma forma de superar as fronteiras e reconduzir todos os homens a sua origem e destinos comuns.

Castelo Melhor, amendoeiras.

Castelo Rodrigo. JMM

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