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OS LUSITANOS E A ROMANIZAçãO
Os Lusitanos e a Romanização

 Os Lusitanos e a Romanização

A principal actividade dos Lusitanos, no período Pré-romano, foi o pastoreio, persistente durante a romanização. A transumância realizava-se ao Norte e ao Sul do Douro, de acordo com as épocas do ano. Santuários, localizados nos altos dos montes evocando forcas da natureza, foram mais tarde cristianizados.   Muitas das crenças e vivências lusitanas chegaram ate nossos dias através da romanização e da cristianização.

Depois das guerras lusitanas, que tiveram os seus momentos mais altos sob o comando de Viriato, os romanos acabaram por impor a sua forca e organização. A ocupação do território acompanha a conquista do espaço correspondente aos reinos  medievais de Castela-Leão. Foi iniciada em 153 a.C.. Depois da morte de Viriato a resistência lusitana manteve-se durante muitos decénios. O ultimo episodio e referido no De Bello Alexandrino por Júlio César noticiando um ataque dos Medobrigenses, (localizados possivelmente perto da Meda), no ano 48 a.C.. Refugiaram-se no Monte Hermínio (Serra da Estrela), onde Cássio os perseguiu com o exercito.

Os romanos, quer pelas armas quer pelo diálogo e persuasão, chegaram a paz criando a província da Lusitânia, integrando o território dos Vetões. Organizaram-na em conventos jurídicos e estes em unidades administrativas inferiores, coexistindo com as gentilidades locais. Introduziram formas de agricultura do tipo mediterrânico: olivais, vinhas, searas de trigo e centeio. Associaram esta economia à pecuária. Roma potencializou as explorações mineiras: ferro na Serra do Reboredo; ouro na Serra do Ourozinho e na vizinha Penedono (este nome é inteiramente céltico - Penedunum); chumbo nos Areais de Longroiva.

A moeda passou a circular alterando o sistema de comércio e tributação. O culto das divindades lusitanas e vetónicas diminuiu com a romanização, testemunhada em aras e cipos funerários e também em templos como o de Almofala (Figueira de Castelo Rodrigo).

Uma rede viária de calçadas facilitou transportes e comunicações ligados ao ramal da Via Lata, que vinha de Mérida a Astorga.

São visíveis troços dessa via perto de Marialva, no Vale de Longroiva, na descida de Foz Côa para o Pocinho e na subida para o Vale da Vilariça. Em Marialva, Civitas Aravorum, há abundantes provas de romanização, assim como no Vale de Longroiva, nas imediações de Numão, no concelho de Foz Côa na Quinta da Erva Moura, no Vale da Vilariça e outros locais do concelho de Moncorvo, em Mogadouro...

Por toda a parte os romanos marcaram a sua presença. O mais importante legado foi a língua, que substituiu a lusitana. Também o seu contributo no campo do Direito e da Administração foi importante. Como particularidade curiosa encontram-se ao Sul do Douro aras consagradas a Júpiter Óptimo Máximo, por militares da VII Legião, Gemina, que deu nascimento a cidade de León. A presença destas lápides em santuários foi facilitada pela referida via romana.

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